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segunda-feira, 5 de abril de 2010

O SERVIÇO SOCIAL E OS MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL

1.A origem do S.So junto aos movimentos sociais no Brasil se dá com o surgimento do Desenvolvimento de Comunidade (DC).

2.Processo histórico do D.C.:
1A institucionalização do DC se dá pela ONU após a II Guerra Mundial devido à “guerra fria” instalada após a Revolução Russa de 1917.
2“guerra fria” – luta entre os dois blocos (capitalista e comunista) pela supremacia política, econômica e ideológica;
3expansão do bloco comunista nos países orientais  “perigo” crescente aos países capitalistas atingidos pelas perdas das colônias;
4ONU ergue a bandeira da social democracia e busca estratégias capazes de garantir a “ordem social” e a preservação do “mundo livre” dos regimes e ideologias “não democráticas”.

3.ONU: a pobreza é um obstáculo e uma ameaça para as populações pobres e para as áreas mais prósperas (Ammann, Safira. P.29/30).

4.Os Estados Unidos se auto proclamam líder do mundo capitalista. A partir da II Guerra Mundial inicia extenso programa de assistência técnica aos países pobres, principalmente os situados na América Latina.

5.Em 1.942 firma-se o convênio entre Brasil e Estados Unidos para incremento da produção de gêneros alimentício no Brasil. Instala um quadro de técnicos junto ao Ministério da Agricultura brasileiro. Em 1945 é assinado um acordo sobre a educação rural (preparatória ao Desenvolvimento de Comunidades). Intercâmbio de educação, idéias e métodos pedagógicos entre os dois países; criação de missões rurais.

6.Objetivo: crescimento das colheitas e da produção pecuária e a melhoria da condição econômico-social das populações rurais, mediante assistência técnica e financeira. Reprodução no Brasil do modelo americano (produção mecanizada).

7.Para a ONU o DC é uma medida para solucionar o complexo problema de integrar esforços da população aos planos regionais do governo e aos planos nacionais de desenvolvimento econômico (visão acrítica dos problemas sociais).

8.O trabalho social é visto como isento de qualquer envolvimento político. Em 1957 o DC é recomendado em larga escala no país. A ONU volta seu olhar para o Serviço Social, realizando pesquisas internacionais sobre a sua formação, no nível auxiliar, de graduação e de pós-graduação. Investe no Serviço Social como aliado para atingir seus objetivos.

9.Há necessidade urgente de: modernizar a agricultura para atingir seus objetivos; implantar o capitalismo na agricultura; investir na educação rural - assistência técnica rural (agrônomo), economia doméstica, educação de adultos, todos dentro dos moldes norte-americanos.

10.Este trabalho vai até próximo da dec.60, quando começam a surgir os questionamentos sobre o DC. De 1960 a 1965, existem duas características de DC no Brasil:

a) DC ORTODOXO: caráter acrítico, aparentemente apolítico e aclassista. Comunidade concebida como unidade consensual, harmônica.Participação concebida a partir da teoria dos papéis e funções (continuidade estável do sistema). O DC é usado como estratégia de manutenção através de técnicas cooperativas – mutirão, ajuda mútua – ou de organização objetivando mudanças localizadas. (integração nacional)


b) DC HETERODOXO: ensaios críticos – concebem a participação de forma crítica; postulam mudanças estruturais da sociedade. (libertação social)

11.No Serviço Social:
- Há um desprestígio ao Serviço Social tradicional e de sua ação “comunitária” (DC ortodoxo);
- Valoriza os movimentos comunitários: concebendo o DC na perspectiva macrossocietária, supondo mudanças sócio-econômicas-estruturais mas, ainda dentro da lógica capitalista;
- Pensa o DC como instrumento de um processo de transformação social substantiva, vinculado à libertação social das camadas subalternas e da classe trabalhadora.

12.Esta visão crítica do DC é resultado da vinculação com a Igreja Católica que assume publicamente a posição de defesa dos interesses dos oprimidos contra o Estado e o monopólio capitalista. Inicia através da CNBB e da sua posição no continente latino-americano (CELAM) levadas ao Concílio Vaticano II (1964). Surge a Teologia da Libertação e as Pastorais a partir de 1968 (Medellín/Colômbia).

13.Por outro lado, a América Latina vive a influência do pensamento revolucionário de esquerda. Os intelectuais, profissionais e lideranças sindicais e populares passam a ter acesso a conteúdos teórico-práticos que visam instalar um outro ordenamento da sociedade e de relações de classe.

14.O movimento estudantil chega às escolas de Serviço Social e os alunos passam a se engajar nas lutas sociais e nacionais do segmento, em oposição ao Estado e ao Governo.

15.Com o Golpe de Estado instala-se o governo militar e, com a extinção das expressões democráticas e de participação popular temos:

- desmobilização da sociedade civil;
- perseguição, exílio e/ou morte das pessoas com engajamento político;
- paralisação dos movimentos;
- perseguição aos profissionais críticos;
- redirecionamento metodológico e ideológico de alguns movimentos, como por exemplo, o MEB transforma-se em MOBRAL.

16.O DC nos três níveis de governo passa a ter papel utilitarista e oficial:

- implantação e veiculação das políticas oficiais;
- uso gratuito da força de trabalho das comunidades locais em nome da colaboração com o governo.

17.A mecanização do campo e a entrada do capitalismo na produção agrícola e pecuária e das agro-indústrias, provocaram, a partir do final da dec.60 e dec.70 a expulsão dos pequenos proprietários e dos trabalhadores rurais. Surge, a partir da dec.70 o fenômeno “bóias-frias” e os acampanhamentos, assentamentos e áreas de ocupação pelos trabalhadores famintos, expulsos dos e pelos latifúndios.

18.Dos movimentos dos trabalhadores rurais (de 1.945 a 1.964) através das ligas, uniões, sindicatos e confederações e, dos debates ocorridos nos encontros e congressos nacionais, surge em 1979 em Santa Catarina, o MST. A luta no campo esteve sob a assessoria e proteção da igreja através da Pastoral da Terra.

19.O Serviço Social, entra na dec.60 envolto nos movimentos sociais e populares. Com o Golpe de Estado, os profissionais são obrigados a refazer o seu cotidiano profissional.

20.O MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO nasce nessa conjuntura: é no engajamento dos assistentes sociais nos movimentos sociais e na crítica social, que questiona-se a si próprio e norteia a crítica à prática e à formação profissional – a quem ou a que servimos?

21.Embora este movimento tenha sido exclusivamente brasileiro, pautou-se em lutas que extrapolam o país e a resistência contra o conservadorismo e a busca pelo referencial crítico foram animadas pela luta contra a ditadura e o imperialismo na América Latina e Caribe.

22.A re-inserção do Serviço Social nos movimentos sociais se dá a partir do ressurgimento dos movimentos sociais, ocorrido com maior ênfase na segunda metade da dec.70, quando surge um novo sujeito social: os trabalhadores organizados enquanto Movimento Operário (iniciando-se no ABC paulista com a greve de 1978) e enquanto movimentos populares (como o da Carestia). Estes movimentos alargaram os antagonismos de classe.

23.Este sujeito novo é novo porque:

- ocupa um novo espaço político;
- realiza novos enfrentamentos (se coloca contra a ditadura);
- explicita os conflitos de classe;
- se organiza de forma autonomamente, embora busque qualificar-se por meio de estudos, formação, assessorias;
- tem nova prática cotidiana (reivindica direitos e democracia).
- Busca uma identidade própria.

24.Com esses movimentos e enfrentamentos, os assistentes sociais buscam também rever suas práticas nas instituições tradicionais e conservadoras – estatais ou não. Criam espaços “alternativos” de ação profissional orientada para o apoio, contribuição e fortalecimento dos movimentos sociais e populares.

25.Nos organismos de representação e de organização dos assistentes sociais ocorreram os maiores embates e transformações sob a influência dos movimentos sociais. No III Congresso dos Assistentes Sociais (SP/1979) e na Convenção Nacional da ABESS (hoje ABEPSS) em Natal/1979, onde houve veemente defesa da inclusão dos estudos teóricos e práticos sobre os movimentos sociais. Entretanto, a disciplina Desenvolvimento de Comunidade foi novamente incluída na formação profissional. No ementário encaminhado ao MEC em 1.982 a disciplina Desenvolvimento de Comunidade aparece com a relação “movimentos sociais” – explicitando claramente o olhar da formação e posteriormente do exercício profissional para os trabalhos com a organização popular.

26.Hoje, diante das transformações ocorridas na sociedade brasileira a partir da dec.80, com a entrada do neoliberalismo, temos vários desafios:

1.desafios da prática profissional – ou seja, desafios da vida social como um todo refletidos no cotidiano de trabalho do assistente social;
2.estes desafios refletem na forma de viver e conviver dos sujeitos sociais;
3.as relações sociais instaladas com o neoliberalismo e a decorrente precarização das relações do trabalho leva os sujeitos a se imobilizarem, o que leva ao Serviço Social um desafio maior: o estimular a participação e a mobilização.
4.nesta conjuntura há uma imensa dificuldade dos sujeitos realizarem a práxis social, ou seja, perceberem-se enquanto sujeitos e transformarem-se em sujeitos coletivos;
5.levar os sujeitos (e inclusive os profissionais assistentes sociais) a acreditarem que é possível reduzir as desigualdades sociais, promover a inclusão social e garantir direitos. Acreditar que existe uma outra ideologia e uma outra forma de organização da sociedade que não a determinada pelo neoliberalismo.
6.Compreender que o enfrentamento destas questões apontadas não se faz isoladamente ou sozinhos, mas no coletivo.

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